domingo, 26 de agosto de 2012

a quem interesse ler


extraído do livro lições de arquitetura de Herman Hertzberger

"Assim como a aplicação ao interior do tipo de organização espacial e do material referentes ao mundo exterior faz com que o interior pareça menos intimo, as referências espaciais ao mundo interior fazem com que o exterior pareça mais intimo.
Portanto, é a união em perspectiva de interior e exterior e a conseqüente ambigüidade que intensificam a percepção de acesso espacial e de intimidade. Uma seqüência gradual de indicações mediante recursos arquitetônicos assegura uma entrada e uma saída graduais. O complexo inteiro de experiências evocadas pelos recursos arquitetônicos contribui para este processo: gradações de altura, largura, grau de iluminação (natural e artificial), materiais, diferentes níveis do chão. As diversas sensações desta seqüência evocam toda uma variedade de associações, cada uma delas correspondendo a uma gradação específica de “interioridade e exterioridade” que se baseia no reconhecimento de experiências prévias semelhantes. Não só cada sensação se refere a uma gradação especifica de exterioridade e interioridade, como se refere por extensão a um uso correspondente. Eu já havia sublinhado antes que o uso de uma área, o sentido de responsabilidade por ela e o cuidado dispensado a ela encontram-se todos ligados às demarcações territoriais e à administração. Mas a arquitetura, graças às qualidades evocativas de todas as imagens explicitamente espaciais, formas e materiais, possui a capacidade de estimular determinado tipo de uso. Conceitos como o de público e privado restringem-se, portanto, a meras entidades administrativas.
Ao selecionar os meios arquitetônicos adequados, o domínio privado pode se tornar menos parecido com uma fortaleza e ficar mais acessível, ao passo que, por sua vez, o domínio público, desde que se torne mais sensível as responsabilidades individuais e a proteção pessoal daqueles que estão diretamente envolvidos, pode se tornar mais intensamente usado e portanto mais rico. Enquanto a tendência no fim dos anos 60 parecia levar a uma abertura maior da sociedade em geral e dos edifícios em particular, assim como a uma revivescência da rua – o domínio por excelência -, há atualmente um movimento crescente para restringir este acesso e buscar refugio em sua própria “fortaleza”, longe da agressividade. Na segurança da própria casa. Mas, na medida em que o equilíbrio entre a abertura e o fechamento é um reflexo da nossa sociedade bastante aberta, nós nos Países Baixos, com nossa sólida tradição, podemos ter as melhores condições para a construção de edifícios fundamentalmente mais acessíveis e de ruas fundamentalmente mais convidativas."

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acordar, esticar, espreguiçar, levantar, lavar o rosto, sorrir, gritar e fumar um cigarro.
Primeira tragada amarga pra começar o dia, depois se suaviza como se encaixasse pefeitamente em cada alvéolo do pulmão.
Que maravilhosa e degradante sensação.
Bom dia.