quarta-feira, 21 de outubro de 2015

“porque se a justiça consiste em dar a cada um o que é seu, dê-se ao pobre a pobreza, ao miserável a miséria, ao desgraçado a desgraça, que isso é o que é deles... Nem era senão por isso que ao escravo se dava a escravidão, que era o seu, no sistema de produção em que aquela fórmula se criou. Mas bem sabeis que esta justiça monstruosa tudo pode ser, menos justiça. A regra da Justiça deve ser a cada um segundo o seu trabalho, (...) enquanto não se atinge o princípio de a cada um segundo a sua necessidade.” João Mangabeira
"A Opção Pela Casa Própria Unifamiliar
(...) Para o trabalhador, a casa própria simbolizava o progresso material. Ao viabilizar o acesso à propriedade, a sociedade estaria valorizando o trabalho, demonstrando que ele compensa, gera frutos e riqueza. Por outro lado, a difusão da pequena propriedade era vista como meio de dar estabilidade ao regime, contrapondo-se às ideias socialistas e comunistas. Com isso, o Estado estaria disseminando a propriedade em vez de aboli-la e, assim, promovendo o bem comum. Os trabalhadores, deixando de ser uma ameaça, teriam na casa própria um objetivo capaz de compensar todos os sacrifícios; já o morador do cortiço ou da moradia infecta estava condenado a ser revoltado, pronto para embarcar em aventuras esquerdistas para desestabilizar a ordem política e social." (Nabil Bonduki Acerca do período da era Vargas, meados da década de 40)
https://vimeo.com/channels/animaterra
- Te acalma! Quando eu falo minha linda, não to dizendo que é minha propriedade, não... nem ao menos acredito que alguém possa te possuir, logo você que é tão absolutamente você. O que eu quero dizer na verdade é que você é linda pra mim, que você ta aqui sendo linda pra mim agora, entende?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Morcegos passam raspando na noite
Tamanha sutileza e perspicácia me deixam perplexa e maravilhada.
As 02:30h da manhã da pra ouvir os pássaros ao longe que mal encombrem o barulho da energia gerada pelo poste de luz
Volta e meia algum cachorro late para o outro que responde,
Mas isso é tão sutil fora da lua cheia...
Não é sutil como os morcegos, é sutil e diferente, é triste.
A brisa é tão leve que apenas posso encontra-la na fumaça do cigarro.
Voltando para os postes, cachorros e pássaros, da pra fazer musica desritimada ao compasso do meu coração indeciso
Só escrevo quando me sinto culpada por ser eu mesmo
Coração indeciso tem sabor de agonia, inquietude
Falta ritmo, falta cadência
Falta liberdade para as minhas atitudes
Falta me acostumar com o morcego que passa perto sem tomar um susto
Falta sabor na comida e palavras no verso
Falta você, que não tem rosto nem nome, mas já faz falta.

domingo, 11 de outubro de 2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015


This Unicorn Changed the Way I PoopThis Unicorn Change the Way I Poop. #SquattyPotty #UnicornPoopOrder online: www.SquattyPotty.comYouTube version: https://youtu.be/YbYWhdLO43Q
Posted by Squatty Potty on Quarta, 7 de outubro de 2015





quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015





'Howl' by Allen Ginsberg (with subtitles) - HQ

    uivo
    para Carl Solomon  
     
    Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura, 
      morrendo de fome, histéricos, nus,
    arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca 
      de uma dose violenta de qualquer coisa,
    "hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato 
      celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
    que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando 
      sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis aparta-  
      mentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das  
      cidades contemplando  jazz,
    que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram 
      anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados  
      das casas de cômodos,
    que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes 
      alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake  
      entre os estudiosos da guerra,
    que foram expulsos das universidades por serem loucos e publi- 
      carem odes obscenas nas janelas do crânio,
    que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descasca- 
      da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas  
      de papel, escutando o Terror através da parede,
    que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo 
      com um cinturão de marijuana para Nova York,
    que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam tereben- 
      tina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus tor-  
      sos noite após noite
    com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e cara- 
      lhos e intermináveis orgias,
    incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão 
      na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá &  Pa-  
      terson, iluminando completamente o mundo imóvel do  
      Tempo intermediário,
     solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal  
             com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos te-  
             lhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de  
               neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vi-  
             brações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de  
             inverno de Brooklin, declamações entre latas de lixo e a  
             suave soberana luz da mente,  
    que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável 
      percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até  
      que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta,  
      trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do  
      cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do Zôo-  
      lógico,
    que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford's, 
      voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no  
      desolado Fugazzi's escutando o matraquear da catástrofe  
       na vitrola automática de hidrogênio,
    que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao 
      bar ao hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklin,
    batalhão perdido de debatedores platônicos saltando dos gra- 
      dis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas  
      do Empire State da lua,
    tagarelando, berrando, vomitando, sussurando fatos e lembran- 
      ças  e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
    intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os 
      olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinago-  
      ga jogada na rua,
    que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum dei- 
      xando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro  
      Cívico de Atlantic City,
    sofrendo amores orientais , pulverizações tangerianas nos ossos 
      enxaquecas da China por causa da falta da droga no  
      quarto pobremente mobiliado de Newark,
    que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação fér- 
      roviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar cora-  
      ções partidos,
    que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga, 
      vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve  
      até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
    que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e 
      bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus  
      pés em Kansas,
    que passaram solitários paelas ruas de Idaho procurando anjos 
      índios e visionários,
    que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu 
      em êxtase sobrenatural,
    que pularam  em limusines com o chinês de Oklahoma no impul- 
      so da chuva de inverno  na luz da rua da cidade pequena  
      à meia-noite,
    que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz 
      ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para  
      conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e  
      assim embarcaram num navio para a África,
    que desapareceram nos vulcões do México nada deixando 
      além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a  
      cinza da poesia espalhadas na lareira de chicago,
    que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e 
      bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas  
      peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis,
    que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra 
      o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo,
    que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Suare, 
      chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos  
      os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam  
      pela Wall Street e também gemia a balsa da Staten Is-  
      land,
    que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e 
      trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
    que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos 
      carros de presos por não terem cometido outro crime a não  
      ser sua transação pederástica e tóxica,
    que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telha- 
      do sacudindo genitais e manuscritos,
    que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e 
      urraram de prazer,
    que enrabaram e foram  enrabados  por estes serafins humanos, os 
      marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
    que transaram pela manhã  e ao cair da tarde em roseirais, na 
      grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livre-  
      mente seu sêmem para quem quisesse vir,
    que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acaba- 
      ram choramingando atrás de um tabique de banho turco  
      onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
    que perderam seus garotos amados para as tres megeras do destino,
      a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e  a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando  os dourados fios do tear do artesão,
    que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja, 
      uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a paerede com uma visão da buceta final  e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
    que adoçaram trepadas de um milhão  de garotas trêmulas 
      ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguin-  
      te mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros  e nus no lago,
    que foram transar em Colorado numa miríade de carros roubados 
      à noite, N.C. herói secreto destes poemas , garanhão  
      e Adonis de Denver - prazer ao lembrar de suas incontáveis  
      trepadas com garotas em terrenos baldios e pátios dos  
      fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas filei-  
      ras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas  
      ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias  
      solitário  á beira da estrada & especialmente secretos solip-  
      sismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade  
      natal também,
    que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados 
      em sonho, acordaram num Manhattan súbito e consegui-  
      ram voltar com uma impiedosa  ressaca de adegas de  
      Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Aveni-  
      da & cambalearam até as agências de emprego,
    que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue 
      pelo cais coberto por montões de neve, esperando que  
      se abrisse uma porta no East River dando num quarto  
      cheio de vapor e ópio,
    que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de aparta- 
      mentos de Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua &  
      suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,(...)

sábado, 3 de outubro de 2015