Luxo
O luxo é a manifestação da riquez grosseira que quer impressionar quem permaneceu pobre. É a manifestação da importância que se dá à exterioridade e revela a falta de interesse por tudo o que seja elevação cultural. É o triunfo da aparência sobre a subsistência.
O luxo é uma necessidade para muitas pessoas que querem ter um sentimento de domínio sobre os outros. Mas os outros, se são pessoas civilizadas, sabem que o luxo é fingimento; se são ignorantes, admiram e até invejam os que vivem no luxo. Mas a quem interessa a admiração dos ignorantes? Aos estúpidos, talvez.
O luxo é, de fato, uma manifestação de estupidez. Por exemplo, para que servem torneiras de ouro se delas saem água contaminada? Não seria mais inteligente, com o mesmo dinheiro, mandar pôr um filtro de água e ter torneiras normais? O luxo é, pois, o uso errado de materiais dispensiosos sem melhoria das funções. É, portanto, uma estupidez.
Naturalmente, o luxo está ligado à arrogância e ao dominio sobre os outros. Está ligado a um falso sentido de autoridade. Antigamennte, a autoridade era o fiticeiro, que tinha ornamentos e objetos que somente ele podia ter. O rei e os poderosos usavam caríssimos tecidos e peliças. Quanto mais o povo se mantinha na ignorância, tanto mais a autoridade se mostrava coberta de riquezas.
E ainda hoje, em muitos países, observam-se essas manifestações de aparências miraculosas. Atualmente porém, entre as pessoas sãs, procura-se o conhecimento da realidade das coisas e não da aparência. O modelo já não é o luxo e a riqueza já não é tanto o ter quanto o ser (para citar Erich Fromm).
A medida que diminui o analfabetismo, cai a autoridade aparente e, em lugar da autoridade imposta, surge a autoridade reconhecida. No passado, um cretino sentado num enorme trono podia, talvez, impressionar, mas hoje, e sobretudo amanhã, espera-se que não seja mais assim. Desaparecerão os tronos e as poltronas de luxo para os dirigentes impostos, os móveis especiais para os chefes, as grandes cadeiras luxuosas colocadas em estrados de mogno, os ornamentos, as hierarquias e tudo o que servia para impressionar. Em suma, quero dizer que luxo não é uma questão de design.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
"Pássaro Azul" - Charles Bukowski
(Bluebird)
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fica aí dentro,
eu não vou deixar ninguém te ver"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os barmen e as caixas do mercado
nunca sabem que ele está aqui dentro
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fique aí, você quer me pôr em apuros?"
"você quer estragar meus trabalhos?"
"você quer estragar as vendas dos meus livros na Europa?"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu sou mais esperto,
só deixo ele sair de noite, às vezes
quando todos estão dormindo
Eu falo "sei que você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer totalmente.
e a gente dorme junto desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o suficiente para fazer um homem chorar
mas eu não choro, e você?
(Bluebird)
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fica aí dentro,
eu não vou deixar ninguém te ver"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os barmen e as caixas do mercado
nunca sabem que ele está aqui dentro
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele
Eu falo "fique aí, você quer me pôr em apuros?"
"você quer estragar meus trabalhos?"
"você quer estragar as vendas dos meus livros na Europa?"
Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas eu sou mais esperto,
só deixo ele sair de noite, às vezes
quando todos estão dormindo
Eu falo "sei que você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer totalmente.
e a gente dorme junto desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o suficiente para fazer um homem chorar
mas eu não choro, e você?
domingo, 21 de outubro de 2012
#O AMOR ESTÁ MORTO EM SÃO PAULO!
Insegurança Pública
Mataram o Amor. Ele era preto.
Mataram o Amor. Ele era preto.
Usava um bermudão amarelo... Camiseta regata e chinelo... havaiana.
De cabelos crespos e sorriso estridente. O andar Swingando, ou melhor... Cadenciado.
Em seu delírio de morte.
Nem se quer soube o motivo
Seu agressor também nem se quer sabia... Sabia?
Espancaram o Amor.
O homem com lousas nas narinas
Coturno engraxado
Fez de camelo, o humilde camelô
Até seus últimos e fúnebres suspiros
A segurança pública do estado de São Paulo
Matou mais uma vez o Amor
Logo o Amor, inseguro por que não tinha seguros,
Morto pela segurança.
(do poeta-guerrêro Luan Luando,
da Z/S de São Paulo que sangra)
De cabelos crespos e sorriso estridente. O andar Swingando, ou melhor... Cadenciado.
Em seu delírio de morte.
Nem se quer soube o motivo
Seu agressor também nem se quer sabia... Sabia?
Espancaram o Amor.
O homem com lousas nas narinas
Coturno engraxado
Fez de camelo, o humilde camelô
Até seus últimos e fúnebres suspiros
A segurança pública do estado de São Paulo
Matou mais uma vez o Amor
Logo o Amor, inseguro por que não tinha seguros,
Morto pela segurança.
(do poeta-guerrêro Luan Luando,
da Z/S de São Paulo que sangra)
domingo, 26 de agosto de 2012
a quem interesse ler
extraído do livro lições de arquitetura de Herman Hertzberger
"Assim como a aplicação ao interior do tipo de organização
espacial e do material referentes ao mundo exterior faz com que o interior
pareça menos intimo, as referências espaciais ao mundo interior fazem com que o
exterior pareça mais intimo.
Portanto, é a união em perspectiva de interior e exterior e
a conseqüente ambigüidade que intensificam a percepção de acesso espacial e de
intimidade. Uma seqüência gradual de indicações mediante recursos arquitetônicos
assegura uma entrada e uma saída graduais. O complexo inteiro de experiências evocadas
pelos recursos arquitetônicos contribui para este processo: gradações de
altura, largura, grau de iluminação (natural e artificial), materiais,
diferentes níveis do chão. As diversas sensações desta seqüência evocam toda
uma variedade de associações, cada uma delas correspondendo a uma gradação específica
de “interioridade e exterioridade” que se baseia no reconhecimento de experiências
prévias semelhantes. Não só cada sensação se refere a uma gradação especifica
de exterioridade e interioridade, como se refere por extensão a um uso
correspondente. Eu já havia sublinhado antes que o uso de uma área, o sentido
de responsabilidade por ela e o cuidado dispensado a ela encontram-se todos
ligados às demarcações territoriais e à administração. Mas a arquitetura,
graças às qualidades evocativas de todas as imagens explicitamente espaciais,
formas e materiais, possui a capacidade de estimular determinado tipo de uso. Conceitos
como o de público e privado restringem-se, portanto, a meras entidades
administrativas.
Ao selecionar os meios arquitetônicos adequados, o domínio privado
pode se tornar menos parecido com uma fortaleza e ficar mais acessível, ao
passo que, por sua vez, o domínio público, desde que se torne mais sensível as
responsabilidades individuais e a proteção pessoal daqueles que estão
diretamente envolvidos, pode se tornar mais intensamente usado e portanto mais
rico. Enquanto a tendência no fim dos anos 60 parecia levar a uma abertura
maior da sociedade em geral e dos edifícios em particular, assim como a uma
revivescência da rua – o domínio por excelência -, há atualmente um movimento
crescente para restringir este acesso e buscar refugio em sua própria “fortaleza”,
longe da agressividade. Na segurança da própria casa. Mas, na medida em que o equilíbrio
entre a abertura e o fechamento é um reflexo da nossa sociedade bastante
aberta, nós nos Países Baixos, com nossa sólida tradição, podemos ter as
melhores condições para a construção de edifícios fundamentalmente mais acessíveis
e de ruas fundamentalmente mais convidativas."
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