Somos seres individuais, sentimos e criamos verdades, distorcemos fatos e vagamos por ai a criar nós na cabeça dos passantes. Nada sabem eles perante a nossa forma de enxergar o mundo e sua impotência perante nossas verdades é quase tão grande quanto o abismo que os separa. Quem poderia guardar a minha memória? Quem é que zela pelas minhas nóias? Quem poderá sentir o que eu vi e a ilusão que eu criei por trás do muro em que se você se esconde?
Na origem, da origem, da origem, da origem dos meus sonhos, no fundo da consciência onde meus segredos se escondem de mim as ruínas se formam , onde as pedra caem dando lugar a prédios imensos sem sentido e sem perspectiva escondendo a luz que ainda batia na casinha simples e aconchegante que se mantinha em pé. Os vazios que ainda se preenchiam pelos resquícios de pedregulhos das antigas lembranças e as ruas traçadas pelas linhas do seu corpo estão sendo soterradas e engolidas pelo peso do concreto da saudade e da vontade de seguir.
Preciso encontrar a chave do sótão onde deixei guardada uma caixinha repleta de imagens que eu desenhei das antigas manias daquele lugar e do jeito que você sorria quando me trazia o café da manhã.
Não quero perder o melhor esboço que eu fiz sobre você para os novos desenhos sem a precisão da ergonomia dos seu abraço ou sem a luz natural refletindo com perfeição os tons de cores dos seus olhos.
Quero me lembrar da forma que eu inventei para te tornar perfeito dentro de mim.
Poema de uma noite sem lembranças
