"O gesto nobre ou grandioso não precisa, portanto, excluir automaticamente a vida cotidiana; pelo contrário, pode emprestar-lhe um toque de nobreza e grandeza: o ordinário se torna extraordinário. Uma concepção errônia amplamente difundida entre os arquitetos é que devem trazer o excepcional ao nível do comum em vez de tornar extraordinário o ordinário.
Em nosso trabalho, devemos sempre procurar atingir a qualidade em tantos níveis quantos se fizerem necessários, para criar um ambiente que não sirva exclusivamente a um grupo particular de pessoas, mas a todos. A arquitetura deve ser generosa e convidativa para todos, sem destinção. A arquitetura pode ser descrita como convidativa se seu projeto for tão acessível aos marginalizados pela sociedade quanto aos membros do sistema, e se pudermos imaginá-la existindo em qualquer contexto cultural imaginável. O arquiteto é como o médico - não há espaço para discriminação de valores em seu pensamento; ele deve dedicar sua atenção a todos os valores igualmente e deve simplismente providenciar para que aquilo que pratica faça com que alguém se sinta melhor."
(Herman Hertzberger - Lições de Arquitetura)
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