- uivo
para Carl Solomon
Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
- morrendo de fome, histéricos, nus,
- de uma dose violenta de qualquer coisa,
- celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
- sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis aparta-
mentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das
cidades contemplando jazz,
- anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados
das casas de cômodos,
- alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,
- carem odes obscenas nas janelas do crânio,
- da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas
de papel, escutando o Terror através da parede,
- com um cinturão de marijuana para Nova York,
- tina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus tor-
sos noite após noite
- lhos e intermináveis orgias,
- na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Pa-
terson, iluminando completamente o mundo imóvel do
Tempo intermediário,
com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos te-
lhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de
neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vi-
brações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de
inverno de Brooklin, declamações entre latas de lixo e a
suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável
- percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até
que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta,
trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do
cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do Zôo-
lógico,
- voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no
desolado Fugazzi's escutando o matraquear da catástrofe
na vitrola automática de hidrogênio,
- bar ao hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklin,
- dis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas
do Empire State da lua,
- ças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
- olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinago-
ga jogada na rua,
- xando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro
Cívico de Atlantic City,
- enxaquecas da China por causa da falta da droga no
quarto pobremente mobiliado de Newark,
- roviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar cora-
ções partidos,
- vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve
até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
- bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus
pés em Kansas,
- índios e visionários,
- em êxtase sobrenatural,
- so da chuva de inverno na luz da rua da cidade pequena
à meia-noite,
- ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para
conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e
assim embarcaram num navio para a África,
- além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a
cinza da poesia espalhadas na lareira de chicago,
- bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas
peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis,
- o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo,
- chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos
os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam
pela Wall Street e também gemia a balsa da Staten Is-
land,
- trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
- carros de presos por não terem cometido outro crime a não
ser sua transação pederástica e tóxica,
- do sacudindo genitais e manuscritos,
- urraram de prazer,
- marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
- grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livre-
mente seu sêmem para quem quisesse vir,
- ram choramingando atrás de um tabique de banho turco
onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
- a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios do tear do artesão,
- uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a paerede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
- ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguin-
te mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago,
- à noite, N.C. herói secreto destes poemas , garanhão
e Adonis de Denver - prazer ao lembrar de suas incontáveis
trepadas com garotas em terrenos baldios e pátios dos
fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas filei-
ras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas
ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias
solitário á beira da estrada & especialmente secretos solip-
sismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade
natal também,
- em sonho, acordaram num Manhattan súbito e consegui-
ram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de
Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Aveni-
da & cambalearam até as agências de emprego,
- pelo cais coberto por montões de neve, esperando que
se abrisse uma porta no East River dando num quarto
cheio de vapor e ópio,
- mentos de Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua &
suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,(...)
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